Não é possível que você suporte a barra
De olhar nos olhos do que morre em suas mãos
E ver no mar se debater o sofrimento
E até sentir-se um vencedor neste momento
Não é possível que no fundo do seu peito
Seu coração não tenha lágrimas guardadas
Pra derramar sobre o vermelho derramado
No azul das águas que você deixou manchadas
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Como é possível que você tenha coragem
De não deixar nascer a vida que se faz
Em outra vida que sem ter lugar seguro
Te pede a chance de existência no futuro
Mudar seu rumo e procurar seus sentimentos
Vai te fazer um verdadeiro vencedor
Ainda é tempo de ouvir a voz dos ventos
Numa canção que fala muito mais de amor
Seus netos vão te perguntar em poucos anos
Pelas baleias que cruzavam oceanos
Que eles viram em velhos livros
Ou nos filmes dos arquivos
Dos programas vespertinos de televisão
O gosto amargo do silêncio em sua boca
Vai te levar de volta ao mar e à fúria louca
De uma cauda exposta aos ventos
Em seus últimos momentos
Relembrada num troféu em forma de arpão
Roberto Carlos
“Dito cujo, falo, caralho, pila, verguinha das Caldas, malandrices, louça erótica, um das Caldas”, são tudo nomes que se ouvem quando se fala da cerâmica tradicional das Caldas da Rainha.
A louça tradicional das Caldas da Rainha terá aparecido no final do século XIX. Maria dos Cacos, barrista e feirante, adoptou os primeiros modelos de formas antropomórficas e pendor humorístico. Posteriormente, apareceu Manuel Mafra. Só depois, o humor de Maria dos Cacos e o naturalismo de Manuel Mafra foram recriados por Rafael Bordalo Pinheiro. A determinada altura, o Rei D. Luís terá ido às Caldas da Rainha a procura de umas prendas diferentes para oferecer aos seus amigos. Ao que tudo indica, terá sido a partir deste desejo que Rafael Bordalo Pinheiro terá criado o famoso falo. A criatividade transbordante de Rafael torna-se mais disciplinada com o filho Manuel Gustavo e o seu rival Costa Motta Sobrinho, nomes que sobressaem na cerâmica das Caldas das primeiras décadas do século XX.
Nestes últimos anos, no entanto, as peças fálicas perderam popularidade e já são muito poucos os ceramistas que as fabricam. Artesanato grosseiro ou arte provocatória, a verdade é que as “malandrices” são uma espécie de louça em vias de extinção.
Uma das razões que tem levado ao gradual desaparecimento dos “falos” das Caldas é a falta de seguidores. Enquanto anos atrás havia muita fábrica a trabalhar na louça erótica hoje praticamente não há ninguém. Um dos únicos sobreviventes é Francisco Agostinho com a sua fábrica no Chão da Parada. A sua arte chegou a transpor as fronteiras. Muitas peças suas tiveram como destino países como a Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Espanha. Agora limita-se a produzir para o mercado nacional.
Outrora as ruas mais antigas das Caldas da Rainha estavam repletas de lojas e montras cheias de peças de artesanato erótico. Era porta sim porta também. Agora, são apenas três as lojas da especialidade.
Relativamente à expressão “ às cinco não faço mais um...” desconhece-se a sua origem. Pensa-se que esta frase terá sido criada a nível nacional para satirizar os serviços públicos. Desde então é utilizada também para “gozar” com os trabalhadores das Caldas da Rainha, sobretudo aqueles que se dedicam ao fabrico do artesanato erótico.
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