Sábado, 12 de Janeiro de 2008
DA MEMÓRIA AO ESQUECIMENTO

 

“É curta, e por vezes mal medida, a distância entre a Memória e o Esquecimento. Para uns, memória é somente passado; para outros, espelha-se no presente, pretendendo ser a fundação do Edifício do Futuro; para outros ainda, é pura e simplesmente, esquecimento.

Como Cidadãos, somos os construtores desse edifício, que se faz à custa da imagem ou do texto ou de outra forma de testemunho e que se consolida pela confecção da argamassa do Tempo que vai passando pelas mãos.

É essencial fixar a memória dos dias. Um perfume, um som, uma cor, uma textura, um grito no peito ou um arrepio na espinha. Alcançar a verdade? Reconstituir? Talvez, um dia, seja possível. Por agora, resta-nos preparar esse caminho de uma forma ponderada, plural e sólida, com capacidade para sublinhar valores.

Quantas vezes se nos eriça o pelo dos braços só de olhar para uma imagem?”

 

Mário João Mesquita.

 


sinto-me: Preocupado

publicado por Luis Pereira às 22:32
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008
SALDO NEGATIVO

 

Dói muito mais arrancar um cabelo a um europeu

que amputar uma perna, a frio, de um africano.

Passa mais fome um francês com três refeições por dia

que um sudanês com um rato por semana.

É muito mais doente um alemão com gripe

que um indiano com lepra.

Sofre muito mais uma americana com caspa

que uma iraquiana sem leite para os filhos.

É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga

que roubar o pão da boca de um tailandês.

É muito mais grave jogar um papel no chão da Suíça

que queimar uma floresta inteira no Brasil.

É muito mais intolerável o shador de uma muçulmana

que o drama de mil desempregados na Espanha.

É mais obscena a falta de papel higiénico num lar sueco

que a de água potável em dez aldeias do Sudão.

É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda

que a de insulina nas Honduras.

É mais revoltante um português sem telemóvel

que um moçambicano sem livros para estudar.

É mais triste uma laranjeira seca num colonato hebreu

que a demolição de um lar na Palestina.

Traumatiza mais a falta de uma Barbie a uma menina inglesa

que a visão do assassínio dos pais a um menino ugandês

e isto não são versos; isto são débitos

numa conta sem provisão do ocidente.

 

 Fernando Correia Pina

 


sinto-me: Preocupado

publicado por Luis Pereira às 15:05
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